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quarta-feira, 18 de abril de 2018

O acesso à cultura tem CEP, tem classe e tem cor

A avaliação é do cientista político e produtor cultural, Marcio Black, durante o debate sobre os resultados da pesquisa "Viver em São Paulo: Cultura"


Ao avaliar os resultados da pesquisa "Viver em São Paulo: Cultura", que foram apresentados na terça-feira (10/4), o cientista político e produtor cultural, Marcio Black, concluiu: "os dados mostram que o acesso à cultura tem CEP, tem classe e tem cor".

Segundo ele, faltam equipamentos de cultura na maioria dos distritos da capital paulista. "O acesso à cultura continua sendo segregado na cidade de São Paulo" reforçou Black, que é também coordenador de cultura da Fundação Tide Setubal.

As declarações foram feitas durante o debate que se seguiu à apresentação dos resultados do levantamento, em evento promovido pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo.


Realizada no Sesc Vila Mariana, a atividade contou com a participação do coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão. "A questão social aparece muito fortemente em todas as nossas pesquisas", considerou ele, ao ressaltar que o problema também aparece claramente no acesso à cultura.

Na opinião de Abrahão, as diversas desigualdades podem ser correlacionadas. "As mulheres negras moradoras da periferia, de menor renda e escolaridade, são aquelas que, em geral, não frequentam nenhuma atividade cultural", denunciou.

O coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo argumentou que as desigualdades não ocorreram naturalmente, foram resultados de decisões e escolhas que envolvem as seguintes perguntas: Para quem a cidade é governada? Para onde está sendo direcionado o orçamento? E quais são as prioridades?  "Temos que questionar essas coisas e procurar influenciar essas decisões", sugeriu.

Desigualdade de acesso à cultura em números

Os resultados da pesquisa "Viver em São Paulo: Cultura" foram apresentados por Patrícia Pavanelli, diretora de contas do Ibope Inteligência.

De acordo com o levantamento, apenas 17% dos paulistanos frequentam (pelo menos, uma vez ao ano) todas as seis atividades e espaços mencionados no levantamento: cinemas, centros culturais, shows, museus, teatros e bibliotecas.

Entre os segmentos predominantes entre os que mais frequentam todas as atividades culturais relacionadas estão: os mais escolarizados, com renda familiar acima de cinco salários mínimos e brancos.

Por outro lado, quase 1/4 da população (24%) não usufruiu de nenhum desses equipamentos.

Nesse grupo predominam: os menos escolarizados, com renda familiar de até dois salários mínimos, pretos e pardos.

"Escolaridade, classe social, renda e raça são as variáveis que diferenciam o perfil daqueles que frequentam todas e nenhuma das atividades avaliadas", concluiu a diretora de contas do Ibope Inteligência.

Confira aqui a apresentação da pesquisa.

Confira aqui a pesquisa completa. 

Debate sobre os resultados

As desigualdades apontadas pela pesquisa também foram destacadas por Juliana Braga, gerente de artes visuais e tecnologia do Sesc São Paulo. "Apesar dos avanços, a cultura ainda é um grande desafio para a cidade", disse ela, ao constatar: "a gente se depara com um número muito grande de pessoas que não frequentam nenhuma atividade cultural".

Juliana lembrou que a cultura tem um enorme potencial para gerar empregos e renda.  

Elaine Mineiro, do Fórum de Cultura da Zona Leste, questionou um dos dados do levantamento, segundo o qual, 68% dos paulistanos vão ao cinema, pelo menos, uma vez ao ano. "O que a maioria dessas pessoas que vão ao cinema está assistindo? Será que são coisas da nossa cultura?" Para ela, essa é uma discussão muito importante a ser feita.

A integrante do Fórum de Cultura da Zona Leste relatou que há uma intensa atividade cultural nas periferias da cidade e defendeu a necessidade de maior diálogo por parte da atual gestão municipal. "Vários terrenos que a Prefeitura pretende privatizar são ocupações de cultura, que sofrem perseguição por parte do poder público", denunciou. 

Outro participante do debate que destacou as atividades e manifestações culturais populares, especialmente nas periferias, foi o ex-secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki. Segundo ele, o levantamento não contempla essas expressões de cultura. "O que não quer dizer que ela [a pesquisa] não tenha uma importância grande para entender o que acontece nessa área", ressalvou.

Bonduki relatou algumas ações e políticas que implementou quando esteve à frente da secretaria, para ampliar o acesso à cultura, como o Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI e os Pontos de Cultura.

O ex-secretário defendeu uma integração entre as áreas de educação e cultura, que, segundo ele, não podem ser pensadas de forma separada. "Temos que transformar cada escola em um espaço de cultura", propôs.



Durante o evento, a atriz, MC e diretora musical, Roberta Estrela D´Alva, declamou algumas poesias. 


Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo @digitalradiotv



domingo, 15 de abril de 2018

Convites.

Convite para as reuniões de "SAÚDE PREVENTIVA" com o Dr. Paulo Sato
•    Todas às Sextas Feiras, às 8,30 horas e às 19,30 horas. Escolher um Horário.
•    No Salão São Francisco, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, 2546-4254
•    Em cada Reunião de Saúde tratamos de um assunto do interesse de todos.

Venha participar e convide seus amigos. Falar com Dr. Paulo Sato: 98513-0099


Convite para o "CURSO GRATUITO DE REFLEXOLOGIA PODAL" com Mário Kato.

•    O *CURSO GRATUITO de REFLEXOLOGIA* vai começar dia 27 de Abril de 2018.

Às 14.00 horas.

No salão da Comunidade São Francisco.

Rua Miguel Rachid, 997.


Fazer inscrição com Micheli: 9.4948.2111. O Curso será todas às Sextas Feiras.

•    Quem quiser receber gratuitamente a apostila de "Reflexologia podal" peça por e-mail: mariokato@uol.com.br
•    Faça esta FICHA DO "CURSO DE REFLEXOLOGIA PODAL" e traga dia 27 de Abril de 2018, Sexta Feira, às 14,00 horas, sem atraso, no Salão São Francisco, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, 25460-4254.
•    Nome:...............................................................................Idade.......... Rua.....................................................No....... Bairro:........................................................ Tel:.................
•    Para falar c/ Mário Kato,Coordenador do Curso: mariokato@uol.com.br


Convite para as reuniões sobre o "Câncer" com Mário Kato e Paulo Sato:
•    "Todas às Sextas Feiras", às 16,00 horas, no Salão da Comunidade São Francisco, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, 2546.4254.   (Vai começar dia 27 de Abril de 2018, Sexta Feira)
•    Para estas Reuniões convidamos as pessoas que tem Câncer, os Familiares e as pessoas interessadas em conhecer caminhos novos de tratamentos e conhecimentos para VENCER O CÂNCER. As reuniões sobre o CÂNCER serão todas às Sextas Feiras, às 16,00 horas, sem atraso.
•    As pessoas interessadas nas REUNIÕES SOBRE O CÂNCER preenchem esta Ficha:
•    Nome:.................................................................................................. Idade:..............
•    Rua................................................................................................................. No...........
•    Bairro:............................................................................................. Tel:......................

O Pai da Medicina, Hipócrates, 400 AC, dizia: Você deve ser Médico de si mesmo e dos outros. Portanto, faça do seu ALIMENTO o seu REMÉDIO e do seu REMÉDIO o seu ALIMENTO. Mais informações: Falar com o Dr. Paulo Sato: 98513-0099.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Edital Videocamp de Filmes 2018

Edital Videocamp de Filmes 2018 from VIDEOCAMP on Vimeo.

O VIDEOCAMP ACREDITA NO PODER DO CINEMA PARA TRANSFORMAR REALIDADES. Sabemos que o audiovisual é uma das artes mais poderosas para inspirar e provocar reflexões. Por isso, escolhemos o fomento à produção audiovisual como uma de nossas apostas estratégicas.

O 2º Edital VIDEOCAMP de Filmes já nasce como um dos maiores do mundo. O projeto selecionado receberá o patrocínio de até US$ 400 mil (quatrocentos mil dólares) para a produção de um único filme. Dessa vez, o tema é Educação Inclusiva. Acesse: videocamp.com/edital2018

Uma equipe grande e diversa foi responsável pela produção deste filme:

Produtora - TILT REC - Screen Content
Direção - Beto Macedo
Co-direção - Tiago Berbare
Montagem - Tiago Berbare
Direção de fotografia - Bruno Tiezzi
Direção de produção - Gabriel Braga (PorqueEu Filmes)
Produção - Bruna Ciccarello (PorqueEu Filmes)
Assistente de produção: Marcos Vitoriano (PorqueEu Filmes)
1º assistente de câmera -Peterson Augusto Lomovtov
2º assistente de câmera - Paulo Vinicius Rodrigues da Silva
Direção de arte - Ciça Pinheiro
Assistente de arte - Juliana Carletti
Trilha original - Marcos Gerez
Mixagem de áudio - Daniel Bozi
Colorização - Marco Oliveira
Rotoscopia - Juan Camejo (La Clandestina)
Figurino - Ciça Pinheiro
Finalização - TILT REC - Screen Content
Elenco - Juliana Luna, Fabiano Gold e Graciete Soares
Maquiagem - Vanessa Pina
Chefe de elétrica - Rodrigo Barnete
1º assistente de elétrica - Luiz Claudio Damasceno
1º assistente de elétrica - Raimundo Macedo
2º Assistente de elétrica - Gabriel dos Santos Ferreira
Maquinista - Wilson da Silva Santos
Transporte - Leandro Pacheco e Daniel Fiori
Catering - Rosa Mileo
Roteiro: Justificando, Marcus Couto, Josi Campos e Julia Zylbersztajn
Tradução Roteiro Inglês: Peter Smith, Daniela Perle e Juliana Luna
Coordenação: Josi Campos
Aprovação: Carolina Pasquali, Josi Campos e Daniela Perle


Edital Videocamp de Filmes 2018 from VIDEOCAMP on Vimeo.

Balanço do primeiro ano do Plano de Metas de São Paulo 2017-2020

A Rede Nossa São Paulo e outras organizações da sociedade civil estão realizando um balanço do primeiro ano do Plano de Metas de São Paulo 2017-2020. O levantamento será apresentado no dia 17/4, às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo (Auditório Prestes Maia). Na ocasião também será lançada uma ferramenta de monitoramento do Plano.

Quem fará a avaliação?
    Rede Nossa São Paulo
    Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
    IAB SP - Instituto de Arquitetos do Brasil - São Paulo
    Cidade dos Sonhos
    Instituto Pólis
    UNICEF Brasil
    Secretaria Municipal de Gestão
    Fundação Tide Setubal

Conhecer a nossa cidade, os projetos e o planejamento faz parte de uma construção coletiva.
Participe e compartilhe este evento #MetasDeSP

17/4 || 19h
AUDITÓRIO PRESTES MAIA
CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
(VIADUTO JACAREÍ, 100)



Por: Rede Nossa São Paulo via @digitalradiotv

 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Este garoto esta perdido no Jardim Helena


Olá amigos!!
Este garoto esta perdido no Jardim Helena, ele esta em restaurante aos cuidados do dono que está desesperado...
Ele só diz que seu nome é Vicente, não sabe o nome da mãe...


Por favor divulguem para ver se alguém o conhece...

Por: Mariana

ACDEM casa 5
Tel. 2584-9057


terça-feira, 10 de abril de 2018

Convite para a reunião de orientações sobre APOSENTADORIAS BENEFICIOS. LOAS. REVISÃO DE APOSENTADIRAS. Tudo gratuitamente.


     APOSENTADORIAS BENEFÍCIOS...

                                 LOAS...

                                     REVISÃO DE APOSENTADIRAS.

  • Tudo gratuitamente.


Dia 15 de Abril. Domingo.

Horário. Às 9.00 horas da manhã até 11.00 horas.

Local na casa da Terceira idade Tereza Bugolin. Rua Primavera da Vida. 1 b. Ao lado da igreja São Francisco. Ermelino Matarazzo.

Nesta reunião teremos cerca de 10 advogados orientando sobre APOSENTADORAS e benefícios...

Divulgue para seus familiares, Amigos, Vizinhos.

Mais orientações com Vanessa.

Grato

Pe. Ticão.

Novo currículo do ensino médio exigirá mudança na formação do professor



CNE vai analisar BNCC antes da implementação das mudançasArquivo/Agência Brasil

O sucesso da implementação da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio passará por mudanças na formação de professores e adaptações nas escolas, apontam especialistas ouvidos pela Agência Brasil. O documento, que vai orientar os currículos dessa etapa e estabelecer as habilidades e competências que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo do ensino médio em cada uma das áreas, foi entregue na última terça-feira (3) pelo Ministério da Educação (MEC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE).

A BNCC do ensino médio é organizada por áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Apenas as disciplinas de língua portuguesa e matemática aparecem como componentes curriculares, ou seja, disciplinas obrigatórias para os três anos do ensino médio. Os alunos deverão cobrir toda a BNCC em, no máximo, 1,8 mil horas. O tempo restante deve ser dedicado ao aprofundamento no itinerário formativo de escolha do estudante.

Para o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, essas mudanças vão exigir muito investimento na formação de professores e um "repensar da formação de professores no Brasil" para que haja uma integração entre as disciplinas.

"Quando você faz um trabalho por área de conhecimento que reforça o caráter da interdisciplinariedade, você tem que investir muito na formação de professores. Hoje, como o professor de química é formado sem ter um diálogo direto com o professor de física ou biologia, que fazem parte da mesma área de conhecimento, por exemplo, agora para dar conta desse novo ensino médio, eles terão que se integrar já dentro da universidade", diz.

Segundo ele, a mudança vai ter impacto nos currículos das licenciaturas. "As coordenações dessas áreas vão ter que sentar e repensar. Não é que não vai mais ter professor de química, física e biologia, mas vai ter que haver um esforço para integrar esses conhecimentos", diz.

A formação dos professores deve ser priorizada também na visão da pedagoga Anna Helena Altenfelder. "Não só os professores, mas toda a estrutura da escola que hoje é pensada por disciplina e não por área de conhecimento. Então, temos um desafio grande", diz a presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Ela também aponta um possível acirramento das desigualdades na educação como um dos riscos da nova base para o ensino médio. "Sabemos que os estados têm condições diferentes tanto técnicas como financeiras para construir seus próprios currículos. Então, a questão dos itinerários deve ser melhor definida em um apoio maior para os estados", diz. O MEC se comprometeu a elaborar um guia de orientações para ajudar os estados na elaboração dos itinerários formativos.

Aperfeiçoamentos

A BNCC do ensino médio deverá ser analisada e aprovada pelo CNE e homologada pelo MEC antes de o documento começar a valer. O conselho irá fazer uma consulta pública em plataforma digital e audiências para colher sugestões da sociedade antes de submeter o texto à avaliação dos conselheiros.

A presidente executiva do movimento Todos pela Educação, Priscilla Cruz, considera que o CNE deve especificar melhor a forma como as redes vão se organizar, além de estabelecer o que é obrigatório ou não e deixar mais clara e objetiva a redação das habilidades previstas para serem alcançadas pelos alunos.

"Há uma impressão que o ensino médio está 'menor' pela falta de objetividade nas habilidades, é muito dependente da implementação pelos estados, não há um plano de implementação progressiva que ajude as redes a se ajustarem", diz. No entanto, ela considera positivo fato de o texto prever a formação mais integrada, "direcionando para mais profundidade, recomendando outros espaços de aprendizagem e formatos de aula, dando características juvenis ao ensino médio".

O conselheiro do CNE Cesar Callegari, presidente da comissão que vai analisar a BNCC, também considera que o colegiado terá que complementar o texto entregue pelo MEC. "A base está incompleta, está um documento bastante genérico e, no meu modo de entender, não atende às expectativas e necessidades do ensino médio no Brasil", diz.

O Ministério da Educação já instituiu o Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular para apoiar os estados no processo de revisão ou elaboração e implementação de seus currículos alinhados à BNCC. Segundo o MEC, no primeiro ano de execução, serão repassados às secretarias estaduais cerca de R$ 100 milhões para a implementação da base.


Sabrina Craide – Repórter da Ag. Brasil

Edição: Amanda Cieglinski @Digitalradiotv

sábado, 31 de março de 2018

31 de março - O Golpe Militar de 1964 (madrugada de 1º de abril).



O Golpe Militar de 1964 redesenhou o panorama político, social, econômico e cultural brasileiros pelas duas décadas seguintes. Executado no dia 31 de março daquele ano, o golpe levou à deposição de João Goulart e fez se instalar no país uma ditadura militar que durou até o ano de 1985.


Apesar de ter ocorrido no ano de 1964, o golpe passou a ser desenhado desde as primeiras medidas de João Goulart, conhecido como Jango. O cenário de sua posse em 07 de setembro de 1961 já era conturbado: desestabilidade política, inflação, esgotamento do ciclo de investimentos do governo Juscelino Kubitschek, grande desigualdade social e intensas movimentações em torno da questão agrária. Diante desse cenário e de acordo com suas tendências políticas, declaradamente de esquerda, Jango apostou nas Reformas de Base para enfrentar os desafios lançados a seu governo.

As Reformas de Base propunham diversas reformas: urbana, bancária, eleitoral, universitária e do estatuto do capital estrangeiro. Dentre elas, três incomodavam de forma especial à direita. A reforma eleitoral colocaria novamente no jogo político o Partido Comunista e permitiria que analfabetos votassem, o que correspondia a 60% da população brasileira. Essas medidas poderiam provocar grandes mudanças no equilíbrio dos partidos políticos dominantes naquele contexto. A reforma do estatuto do capital estrangeiro também provocou polêmica ao propor nova regulamentação para a remessa de lucros para fora do Brasil e propunha a estatização da indústria estratégica. Mas nenhuma delas foi alvo de tantas especulações e mitos quanto a proposta de implementação da reforma agrária. Essa reforma mexeria com a histórica estrutura latifundiária brasileira que, em muitos casos, remontavam aos séculos de colonização.
 
Para os grupos economicamente hegemônicos, tais propostas eram alarmantes não apenas por serem defendidas pelo Presidente da República, mas porque naquele momento a esquerda encontrava-se unida e organizada, movimentando-se em todo o território nacional e mostrando sua cara e seus objetivos em passeatas, publicações e através de forte presença no meio político. Longe do imaginário do século XIX, a esquerda daquele momento era formada por uma grande diversidade de grupos, tais como comunistas, católicos, militares de diferentes ordens, estudantes, sindicalistas entre outros. Todos eles voltados para a aprovação das Reformas de Base e estendendo suas influências por diversos campos da vida pública.

Diante desse abismo entre os grupos de direita e de esquerda durante o Governo de Jango, o golpe começou a ser elaborado pelos grupos conservadores e pelas Forças Armadas em diálogo com os EUA (Estados Unidos da América) através da CIA (Central Intelligence Agency) pensando nas eleições de 1962 para o Congresso Nacional e para o governo dos estados da União. A composição que assumiria no ano seguinte seria de vital importância para os avanços das propostas da esquerda e, por isso, interessados na queda de Jango financiaram de forma ilegal campanhas de candidatos de oposição ao governo. Esse financiamento foi realizado pelo empresariado nacional e estrangeiro através do IBAD (Instituto Brasileiro da Ação Democrática). Os EUA também investiram nessa campanha através de fontes governamentais, como provam documentos e áudios da Casa Branca. Nesse contexto o diplomata Lincoln Gordon participou ativamente da conspiração, trabalhando juntamente ao IBAD e ao IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais), responsáveis por diversas propagandas anticomunistas que contribuíram para a desestabilização de um governo que já enfrentava diversos desafios.

Em 1963, a votação favorável ao retorno do presidencialismo deu novos ânimos ao governo de Jango que, apesar das ações contrárias, ainda se mostrava com grande popularidade. Mesmo assim, o ano de 1963 foi marcado por intensa atuação da direita e da esquerda e esse embate começou a ser favorável a direita a partir da derrota da emenda constitucional que buscava viabilizar a reforma agrária. Outro fato que abalou Brasília em 1963 foi a Rebelião dos Sargentos na qual sargentos da Aeronáutica e da Marinha invadiram o Supremo Tribunal Federal em protesto contra a declaração de inelegibilidade dos sargentos eleitos em 1962.

O cenário ficou ainda mais conturbado após a entrevista concedida por Carlos Lacerda a um jornal norte-americano, no qual declarou que o cenário político brasileiro sob o governo de Jango era de incertezas, ato que foi visto com maus olhos pelo presidente e o levou a solicitar ao Congresso a instalação do estado de sítio. Sua atitude foi vista de forma negativa pelos governadores dos estados que lhe recusaram apoio. Uma nova coligação entre PTB, UDN e PSD mostrou ter a mesma posição, o estado de sítio não seria aprovado pelo Congresso. Desse embate, Jango saiu com seu poder abalado.

Com inflação anual na casa de 79,9%, um crescimento econômico tímido (1,5%) o Brasil passou a sofrer restrições dos credores internacionais. Nesse contexto, os EUA passaram a financiar o golpe através dos governos dos estados de São Paulo, Guanabara (atual Rio de Janeiro) e Minas Gerais. Frente às pressões sofridas nos meses que se seguiram, Jango articulou o Comício da Central do Brasil. Ocorrido em uma sexta-feira, 13 de março de 1964, o evento esteve cercado de simbologias que o ligavam a figura de Getúlio Vargas e mobilizou entre 150 e 200 mil pessoas por mais de 4 horas de duração. Como havia se comprometido em seu discurso, Jango encaminhou ao Congresso o pedido de convocação de um plebiscito para a aprovação das reformas sugeridas e a delegação de prerrogativas do Legislativo para o Executivo, o que foi visto como uma tentativa de centralização do poder nas mãos do presidente.

Em reação às ações de Jango, o Congresso passou a suspeitar de suas intenções e essa posição repercutiu nos meios de comunicação em um tom que indicava que o presidente poderia a qualquer momento dissolver o Congresso para colocar em prática as reformas na base da força. A partir desse clima de desconfianças e alardes, foi organizada a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, preparada pelo IPES sob a figura da União Cívica Feminina com o apoio de setores de direita. A Marcha reuniu cerca de 500 mil pessoas na Praça da República, na capital paulista, em protesto contra o governo de Jango e suas pretensões, classificadas como comunistas. Sendo um movimento prioritariamente de classe média, a Marcha foi menosprezada pela esquerda, mas demonstrou seu poder em converter a opinião pública a respeito de João Goulart em diversas capitais, alastrando-se pelos estados com a contribuição dos meios de comunicação.

Ainda faltava a unificação das forças militares em favor do golpe, o que foi provocado pelas atitudes tomadas por Jango em relação aos marinheiros que participaram da Revolta dos Marinheiros, realizada em 25 de março. Ao anistiar os revoltosos e passar por cima das autoridades militares responsáveis, Jango deu o último elemento necessário à realização do golpe de 1964: o apoio das Forças Armadas. Os EUA já estavam a postos para colocar em prática a Operação Brother Sam e, em 31 de março de 1964, o pontapé foi dado pelos mineiros, sob a liderança do general Olympio Mourão Filho, que marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro e iniciou o processo de deposição do presidente João Goulart com o apoio dos EUA e das Forças Armadas. O Golpe foi concluído na madrugada de 02 de abril de 1964, quando o Congresso, em sessão secreta realizada de madrugada, declarou a Presidência da República vaga.


Bibliografias:

GOMIDE, Rafael. Com arquivos e áudios da Casa Branca, filme revela apoio dos EUA ao golpe de 64. Último Segundo, 2013. Disponível em: < http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-03-15/com-arquivos-e-audios-da-casa-branca-filme-revela-apoio-dos-eua-ao-golpe-de-64.html> . Acesso em: 05/10/2017.

REIS, Marco Aurélio. A revolta dos marinheiros. O Dia, 2014. Disponível em:<http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-03-25/a-revolta-dos-marinheiros.html>. Acesso em: 05 out.2017.

SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. No fio da navalha: ditadura, oposição e resistência. In: Brasil: uma biografia. São Paulo: Cia das Letras, 2015, p. 437-466.


Arquivado em: Ditadura Militar, História do Brasil


Por Michelle Viviane Godinho Corrêa
Mestre em Educação (UFMG, 2012)
Especialista em História e Culturas Políticas (UFMG, 2008)
Graduada em História (PUC-MG, 2007)


quinta-feira, 29 de março de 2018

Qual é a melhor forma de organizar as carteiras na sala de aula?

Imagem: ilustração.


Alguns formatos possíveis de organização e quais interações são favorecidas em cada um deles

Imagine uma situação em que você, educador, está na posição de quem aprende. Pode ser em um congresso, curso ou formação – até mesmo aquelas reuniões da secretaria. O que você prefere: passar todo o tempo sentado em intermináveis fileiras ou assumir uma postura mais participativa, com discussões em grupos ou círculos? "Os professores gostam de sair da 'pedagogia da nuca' – em que todos se vêem de costas – e interagir com os colegas. Mas quando você pergunta se fazem isso nas suas salas, pouquíssimos fazem", comenta Célia Senna, formadora de professores da consultoria INovAÇÃO.


A discussão sobre qual seria a melhor maneira de organizar os alunos na sala de aula acompanha a evolução da Pedagogia nas últimas décadas. O modelo tradicional, de fileiras individuais justapostas em linhas paralelas, tem sido posto em xeque por limitar o ensino à aula expositiva e não favorecer a interação entre alunos e entre estes e os professores. "No Brasil, em redes nas quais as concepções construtivistas entraram com mais força, a transformação da organização mais convencional em grupos ou círculos tornou-se a regra", conta Cláudia Dalcorso, sócia-fundadora da Elos Educacional.

Afinal, existe formato ideal? "Na verdade, isso depende da intencionalidade pedagógica, isto é, dos objetivos que o docente espera que os alunos alcancem", explica Marília Novaes, formadora de gestores da Comunidade Educativa Cedac. Segundo ela, não se trata de adotar um e abandonar o outro para garantir melhor aprendizado. "A sala pode e deve mudar conforme a necessidade do momento", defende.

O ponto central na escolha do formato deve contemplar o desenvolvimento de habilidades de colaboração e troca entre os colegas – o que nem sempre é fácil para quem está habituado à estrutura tradicional de sala de aula. Para compreender melhor as propostas e implicações de cada forma de organização, listamos as vantagens que oferecem no processo de ensino-aprendizagem.

Fileiras individuais ou U (meia-lua)

Os dois formatos permitem que o educador trabalhe aulas expositivas, apresentações em vídeo, filmes e situações em que é necessário o apoio da lousa. O esquema tradicional, porém, tem seus críticos. "Colocamos os alunos durante cinco horas olhando um para a nuca do outro e queremos que se sintam estimulados?", questiona Célia Senna. Para a especialista, a meia-lua ou U sai na frente. "Quando o aluno vê a sala como um todo, consegue interagir mais com os colegas, o que é muito favorável para a aprendizagem".



Esse formato proporciona contato visual entre todos os presentes e favorece o debate coletivo, além de manter a possibilidade de foco no professor e na lousa – que não precisa ser demonizada. Há momentos em que a lousa é a opção mais eficiente para apoiar uma explicação ou registrar as questões de uma discussão.

Já Cláudia Dalcorso acredita que há alguma utilidade nas fileiras, especialmente em ambientes espaciais mais limitados. "Em certos momentos, a aula tem um foco central, que pode ser uma exposição oral, um vídeo, o trecho de um filme, e a sala não possui espaço suficiente para acomodar todos os alunos e as mesas em formato de meia-lua".


Outro ponto que pode pesar na escolha tem muito mais a ver com a postura do professor e como ele se conecta à sala de aula. "É preciso considerar que o professor, às vezes, se sente mais confortável ao explicar um conteúdo para a sala em fileiras. Não precisamos descartar o modelo a priori, nem nos amarrarmos a ele", pondera Marília Novaes, da Cedac.

Duplas ou trios

Esse formato é recomendado para uma interação mais direta entre os alunos. "É uma composição muito utilizada em atividades de produção de texto e de alfabetização, em que se podem construir duplas produtivas", explica Claudia. O professor pode, por exemplo, propor uma atividade de escrita juntando um aluno com escrita ortográfica (isto é, que já domina a norma padrão da língua e é capaz de construções mais complexas) e outro que ainda não alcançou o mesmo nível, mas é criativo e pode ajudar na elaboração da história. Também pode unir um aluno alfabético e outro silábico para que troquem conhecimentos, ou ainda estudantes com saberes diferentes de matemática para resolver um problema que exige vários procedimentos.

Célia Senna atenta, no entanto, que na composição ideal, os integrantes das duplas não se sentam um ao lado da outro, mas um  de frente para o outro. O modelo favorece a interação e discussão entre os dois colegas. "Pode parecer só um detalhe, mas dirigir o olhar e a discussão dessa maneira são favorecidos", diz.

Grupos (quatro ou mais alunos)

Os grupos formados por um número maior de alunos são indicados nos casos em que é preciso levantar hipóteses, investigar diferentes itens e pluralizar o olhar sobre o objeto de aprendizagem. Aumentam-se as informações e olhares sobre o processo – com a possibilidade de desenvolver outras habilidades e competências que não são possíveis no trabalho individual. "Trabalhar em grupo – independentemente de você ser chefe ou funcionário – é algo que encaramos ao longo de toda a vida", diz Célia. "As dinâmicas de sala em que há trabalho em equipe favorecem esse desenvolvimento".



Habilidades como negociação, argumentação, responsabilidade compartilhada, divisão e delegação de tarefas são desenvolvidas à medida que as crianças se veem diante dos desafios do trabalho em equipe. Quando a formação de grupos é pontual, ou seja, acontece algumas vezes, é mais difícil desenvolver tais habilidades do que quando se cria uma dinâmica de equipe. "O grupo começa a se autogerir", explica a especialista. "Mas o professor deve observar essa dinâmica para intervir nos grupos em que um aluno, por exemplo, não está colaborando. Isso ajuda tanto esse indivíduo quanto o grupo a se desenvolver".


Para a formadora, a dinâmica de organização da sala vai ganhando agilidade à medida que os estudantes vão se familiarizando com a proposta. Idem para comportamento. "Os problemas de comportamento não são maiores do que quando os alunos estão enfileirados", defende Célia. De acordo com ela, a agitação é maior na formação ocasional de grupos, do que quando estão acostumados a trabalhar com esse formato.  "A questão de ter o 'controle' da turma também não desenvolve a autonomia dos estudantes".

E onde deve ficar a mesa do professor?

No modelo tradicional, a mesa do professor geralmente está localizada à esquerda da lousa, para não atrapalhar a visibilidade.



Saindo do modelo de fileiras, a mesa do professor pode ficar em qualquer lugar da sala, já que ele irá circular entre as equipes. Idem no semicírculo: a mesa fica fora da roda. Isso implica em maior mobilidade para o docente, que mantém os alunos em seu raio de visão, o que estimula o contato.



Por: Pedro Annunciato, Laís Semis (novaescola)



terça-feira, 27 de março de 2018

Morre Linda Brown, um ícone na luta contra a segregação racial, uma mulher do Kansas.

Linda Brown, em 1954, no Kansas; após ser recusada em escola pública por ser negra, pai da garota ajuizou processo contra Junta de Educação que culminou no fim de doutrina de segregação nas escolas americanas Foto: AP Photo


Após ser rejeitada em uma escola primária por ser negra, Brown foi o principal nome no processo judicial que pôs fim à divisão que regia a educação pública americana
 

WASHINGTON - Linda Brown, uma mulher do Kansas que na década de 1950 ficou famosa por um processo que proibiu a segregação racial nas escolas dos Estados Unidos, morreu aos 76 anos nesse domingo, 25, segundo a imprensa americana.

Nascida em Topeka, capital do Kansas, Brown tinha nove anos quando o seu pai, o reverendo Oliver Brown, tentou inscrevê-la em 1950 na escola pública primária mais próxima à casa da família.

A recusa da escola Summer School a aceitá-la por ser negra provocou quatro anos mais tarde a histórica decisão do processo "Brown vs. Board of Education" (Brown contra a Junta de Educação), no qual a Suprema Corte dos Estados Unidos pôs fim à doutrina "segregada, mas igual" que regia na educação pública americana desde 1896.

O Tribunal determinou que "separar (as crianças negras) de outras de idade e qualificações similares unicamente pela sua raça gera um sentimento de inferioridade quanto à sua posição na comunidade que pode afetar seus corações e mentes de um modo improvável de reverter".

Além disso, a Corte concluiu que a segregação era uma prática que violava a cláusula de "proteção igualitária" prevista na Constituição.

Embora Brown tivesse dado o nome, o processo agrupava vários casos recompilados pela Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) de estudantes afro-americanos rechaçados em instituições educativas ao redor do país.

Um porta-voz da funerária de Topeka confirmou à imprensa americana que Brown morreu neste domingo, 25, por razões que não foram informadas.

Em entrevista à emissora "PBS" em 1985, por ocasião do aniversário de 30 anos da sentença, Brown disse sentir que a decisão da Suprema Corte tinha tido "um impacto em todas as facetas da vida das minorias em todo o país".

"Eu penso em termos do que fez para nossos jovens, na eliminação desse sentimento de cidadania de segunda classe. Acho que fez com que os sonhos, as esperanças e as aspirações de nossos jovens sejam hoje maiores", acrescentou.

Embora tenha se tornado um ícone dos direitos civis, o "Brown" que nomeia o processo contra a Junta de Educação pertence ao seu pai, que foi quem levou o caso à Justiça e morreu em 1961. //EFE


Reprodução:@Digitalradiotv

segunda-feira, 26 de março de 2018

Convite

, postou o seguinte convite: Convite da reunião de SAÚDE PREVENTIVA dia 6 de abril. Sexta feira Com o Dr. Paulo Sato Nesta reunião vamos tratar da Prevenção do ALZHEIMER E seus tratamentos. Dia 6 de abril. Sexta feira. Horário às 8.30 horas da manhã e às 19.30 horas. Local salão da comunidade São Francisco. Rua Miguel Rachid. 997. Ermelino Matarazzo. 2546 4254 Assuntos Por que aumenta - assustadoramente - os casos de Alzheimer na Zona Leste? Como prevenir? Quem tem Alzheimer pode reverter? Sim. Venha na reunião. Não deixe de ler o livro do HIROMI SHYNIA. A dieta do futuro O Hiromi SHYNIA é o Pelé dos médicos.  Você vai conhecer o Antibiótico Natural mais eficiente do mundo. A Prata Coloidal. Se der certo vamos ter em disponibilidade esta Água... O Dr. Paulo Sato escreveu um profundo texto-apostila sobre COMO VIVEM AS PESSOAS COM MAIS DE 100 ANOS Quem quiser receber gratuitamente, é só passar uma mensagem pedindo a apostila para este e-mail padreticao@gmail.com É um belo texto e super educativo para a SAÚDE PREVENTIVA.  Quem quiser assistir, ao vivo, os encontros da SAÚDE PREVENTIVA é acessar o http://portalsaofrancisco.org Ou falar com Vanessa: 9.4490.3655.  Dia 5 de abril vamos para conhecer um grande estudioso das plantas medicinais. O PAULO DAS ERVAS em Salesópolis. Vamos sair às 6.00 horas da manhã da igreja São Francisco. Rua Miguel Rachid. 997. Ermelino Matarazzo. Falar com Micheli 9.4948.2111. Enfim... Desejamos a você e sua família PASCOA SEMPRE. ABRAÇO Pe. Ticão

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quinta-feira, 22 de março de 2018

Relatório da UNESCO indica soluções baseadas na natureza para uma melhor gestão da água

    Relatório foi lançado durante evento no Fórum Mundial da Água. Foto: Jorge Cardoso/8º FMA



A infraestrutura cinza, ou seja, aquela construída pelo homem, foi por muito tempo considerada a principal forma de gestão da água no mundo. No entanto, soluções baseadas na natureza muitas vezes podem ser mais eficientes em termos de custo-benefício, de acordo com o coordenador e diretor do Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP, na sigla em inglês) da UNESCO, Stefan Uhlenbrook.

Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) durante o Fórum Mundial da Água, em Brasília (DF), o especialista afirmou que a chamada infraestrutura verde, ou soluções baseadas na natureza, como a agricultura de conservação, é subutilizada globalmente, respondendo por apenas 5% dos investimentos no setor de água.

As conclusões estão no relatório mundial sobre desenvolvimento dos recursos hídricos lançado nesta segunda-feira (19) pela UNESCO. O documento terá sua versão em português publicada na quinta-feira (22).

"As soluções baseadas na natureza não foram muito adotadas porque são consideradas complicadas e caras. Mas é o contrário. As soluções baseadas na natureza podem ter melhor custo-benefício do que as infraestruturas tradicionais construídas pelos seres humanos", disse.

As soluções baseadas na natureza são inspiradas e apoiadas pela natureza e usam, ou simulam, processos naturais a fim de contribuir para o aperfeiçoamento da gestão da água. Segundo Uhlenbrook, essas soluções têm como objetivo purificar a água, assim como desacelerar seus fluxos de forma a reduzir as enchentes ou o impacto das secas.

"Há três principais objetivos que podemos atingir com as soluções baseadas na natureza. Um deles é aumentar a disponibilidade de água, tanto para o consumo como para a agricultura e a indústria", explicou.

Outro objetivo, de acordo com o especialista, é aumentar a qualidade da água, que está se degradando devido a uma série de atividades humanas. O último é reduzir os riscos associados à água, como as secas e enchentes. "Todos são objetivos de gestão da água que podemos atingir com soluções baseadas na natureza e infraestrutura verde", disse.
Produção agrícola

A agricultura consome 70% da água disponível no mundo, a indústria outros 20% – incluindo a geração de energia elétrica – e o consumo doméstico, 10%, lembrou o especialista, em um cenário em que o mundo precisará aumentar em 50% sua produção de alimentos até 2050.

"Precisamos pensar em formas sustentáveis de aumentar a produção agrícola. Podemos fazer isso com sementes melhores e melhores práticas agrícolas. Mas a gestão da água é particularmente importante. Para podermos aumentar a disponibilidade de água para as plantas e a produção agrícola de maneira sustentável, isso tem a ver com a gestão da água nas fazendas", declarou.

O relatório estima que melhorar a gestão da água poderia aumentar a produção agrícola global em 20%. "Localmente, pode aumentar ainda mais, pode até dobrar. Mas depende das circunstâncias. Todos os países podem fazer isso, olhando para os investimentos que precisam ser feitos, equipando os agricultores com o conhecimento necessário para fazê-lo. É muito mais do que só dar dinheiro, é fazê-los ter a capacidade", declarou.

"É mobilizar recursos humanos, investimento em infraestrutura e em ferramentas socioeconômicas, como governança, arranjos institucionais, regulações, leis. É uma série de coisas que precisam acontecer."
Lançamento do relatório

O lançamento do relatório ocorreu durante painel realizado no Fórum Mundial da Água nesta segunda-feira (19), com a presença da diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay; do vice-presidente da ONU Água, Joakim Harlin; do diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim; e do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

No evento, Audrey afirmou que a paz é colocada em risco em um cenário de escassez de água e que o relatório se propõe justamente a buscar alternativas já existentes para mitigar esse problema. Segundo ela, o objetivo do documento é apoiar os governos em sua transição para melhores políticas de água. "A mensagem do relatório é alta e clara. Agora é hora de ação. Trabalhar com a natureza e não contra ela", declarou.

"Podemos não estar cientes dos serviços que a natureza nos proporciona. Podemos mimetizá-los. Muito da gestão de água é encontrada na natureza. Precisamos adotar soluções integradas à natureza na gestão da água", disse Harlin, da ONU Água, durante o painel. Para Solheim, da ONU Meio Ambiente, casos de sucesso em gestão da água precisam ser replicados globalmente.

Organizado a cada três anos, o Fórum Mundial da Água é o principal encontro global em que a comunidade de profissionais do setor hídrico e os formuladores de políticas trabalham para estabelecer os planos de ação de longo prazo sobre os desafios relacionados à água. Com mais de 150 países representados, o fórum visa aumentar a conscientização e reforçar o compromisso político com relação ao uso e à gestão da água.

Além do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, este ano acontece a abertura da Década Internacional de Ação "Água para o Desenvolvimento Sustentável" (22 de março de 2018 a 22 de março de 2028). A Década visa fortalecer a cooperação e a mobilização internacionais, a fim de contribuir para a realização dos ODS.

Informações à imprensa

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)

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